Acabámos hoje de ler a nossa história e deixamos aqui o nosso trabalho:

A história dos brincos de penas
Numa linda manhã de primavera, Pé de Atleta (pequeno índio da tribo Sempre em Pé), fazia o seu exercício físico habitual (correr), quando de repente, caíram seis penas coloridas a seus pés.

Olhou para o céu e não viu nenhuma ave. Na tentativa de desvendar este mistério, pensou que talvez pudessem ser penas de um anjo. Lembrou-se então, que o professor Pé Calçado lhe havia dito que os anjos têm as penas mais brancas que a neve e Pé Descalço (vigilante da escola), dizia que os anjos maus, tinham penas pretas. Mas estas… eram coloridas!

Desapontado, pegou nas penas e correu para o tipi (tenda) de sua tia que ficava na aldeia, pois esta tinha-lhe prometido um colar de dentes de urso quando ele fizesse dez anos o que tinha acontecido no dia anterior.

Quando chegou à tenda, Pé de Atleta viu a tia muito atarefada a coser uma manta velha, com um cheiro tão intenso que até atraía os lobos e coiotes.
Mostrou-lhe as penas que trazia na mão e perguntou-lhe se sabia a quem pertenciam. Pé de Meia (sua tia) respondeu sem hesitar que eram do tio Patinhas (o pato mais poupado alguma vez visto). Pé de Salsa (ajudante do cozinheiro do chefe da tribo) que acabara de entrar na tenda com uns biscoitos deliciosos disse:

- As penas do tio Patinhas são brancas! Acho que essas, são penas de falcão!
Pé de Atleta muito desapontado dirigiu-se à sua tenda à espera que começasse a reunião da tribo onde os homens mais velhos (grandes sábios) iriam descobrir a quem pertenciam as penas.

Logo que chegou à reunião, Pé de Atleta colocou o seu problema. Foram abordadas várias hipóteses mas não chegaram a uma conclusão.

Foram necessários vários dias para encontrar uma resposta.
Finalmente, Pé de Guerra descobriu que as penas não eram de ave. Eram … penas de gente.

-Quem tem mais penas nesta tribo é Pé Chato! – Pensou Pé de Atleta logo que soube da novidade e foi imediatamente ter com ela para esclarecer a situação.
Pé de Atleta confessou a verdade e explicou então que aquelas penas eram “ penas da alma “. Penas da alma são as saudades e a tristeza que temos dentro de nós, que normalmente só saem quando deixamos que alguém nos ajude.

Um velho sábio da tribo explicara-lhe que estas penas só sairiam de dentro dela quando ela não tivesse pena de as deixar voar.
Decidida a libertar-se delas, Pé Chato subira à montanha, respirara fundo e as penas voaram e foram cair aos pés do pequeno índio.

Pé Chato explicou ainda que as penas eram coloridas porque eram penas de saudades daqueles que já haviam partido para o céu e da sua irmã que estava a estudar na cidade.
- Mas agora que vou eu fazer com elas? Pensava que nunca mais as iria ver! – Desabafou Pé Chato.

- Faz com elas qualquer coisa de útil! Uns brincos por exemplo!
Pé Chato mandou fazer os brincos a um artesão da tribo e ficaram encantadores.
Maria Teresa Maia Gonzalez
A História dos brincos de penas
Lisboa, Editorial Presença, 2006
Com esta história aprendemos que quando estamos tristes ou com saudades, temos de arranjar alguém para desabafar, ou seja, para nos ajudar a fazer qualquer coisa de útil com as nossas penas.
“Quando a vida te dá um limão azedo, junta-lhe água e açúcar e tens uma limonada”.
Desafio: gostaríamos de pedir a todos aqueles que visitam o nosso blogue que comentassem este pensamento lindo.